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Avocates recebem multa por tentar manipular IA do tribunal

4 de novembro de 2026 · 2 min de leitura

black and gray quadcopter drone
Fikri Rasyid / Unsplash

Duas avocates foram multadas em 84 250 R$ por tentarem enganar a inteligência artificial Galileu, utilizada pelo tribunal brasileiro. Elas esconderam uma instrução em um documento jurídico que era invisível ao olho humano, com o objetivo de influenciar a resposta da IA durante um processo judicial. O texto oculto orientava a IA a responder superficialmente e a não contestar os documentos apresentados pela parte adversa.

Galileu, a IA em questão, é responsável por analisar peças processuais e auxiliar na elaboração de decisões judiciais. A tentativa de manipulação foi detectada pela própria IA, que alertou o tribunal sobre a manobra. O juiz responsável pelo caso, Luiz Carlos de Araujo Santos Junior, considerou a ação como uma "atingimento à dignidade da justiça".

As avocates tinham como intenção que a IA da parte oposta elaborasse uma defesa fraca, favorecendo assim o cliente delas. Essa técnica, conhecida como "injection de prompt", consiste em inserir instruções ocultas para alterar as respostas da IA. O uso de texto branco sobre fundo branco foi uma estratégia para evitar a detecção humana.

Este incidente levanta questões sobre o uso da inteligência artificial em processos judiciais e a possibilidade de manipulação. A situação não é isolada no Brasil, já que recentemente um juiz no Connecticut também puniu um demandante que escondeu instruções em documentos destinados a IA.

Além disso, este não foi o primeiro caso de sanção a advogados no Brasil relacionado a tentativas de manipulação da IA. No mês passado, outros advogados foram multados em 20 000 R$, aproximadamente 3 300 €, por similaridades em suas ações. A discussão sobre a ética no uso da IA na justiça está em ascensão, especialmente à medida que tecnologias semelhantes se tornam mais comuns nos tribunais.