Ferramenta de ataque cibernético baseada em inteligência artificial é utilizada por grupos ligados ao governo chinês
25 de outubro de 2026 · 3 min de leitura
A ferramenta de código aberto para testes de invasão autônomos chamada ARTEX está sendo utilizada por atacantes que atuam em coordenação com o governo da China, conforme anunciou a Microsoft em vinte e um de outubro. A empresa de tecnologia confirmou que esses atores de ameaças estão automatizando seus ataques cibernéticos por meio desse software, enquanto casos de uso malicioso da mesma ferramenta também foram verificados na Coreia do Sul e no Japão. O desenvolvedor original, um falante de língua chinesa, havia disponibilizado o código publicamente em uma plataforma de hospedagem de projetos, afirmando inicialmente que o objetivo era acadêmico e de pesquisa.
O funcionamento do ARTEX baseia-se na colaboração entre três agentes de inteligência artificial distintos que operam de forma autônoma após receberem instruções simples de um operador humano. Uma análise realizada pela organização de segurança ASEC, pertencente à fornecedora de segurança sul-coreana AhnLab, detalhou que o sistema utiliza um agente para organizar os objetivos, outro para planejar as tarefas subsequentes e um terceiro para executar as ferramentas necessárias. O agente planejador determina os próximos passos com base nos resultados das ações executadas pelo agente trabalhador, permitindo que o sistema realize desde o acesso inicial até a execução de comandos remotos em servidores web sem intervenção humana contínua.
Testes conduzidos em ambientes isolados demonstraram que a ferramenta é capaz de explorar vulnerabilidades em serviços públicos e erros de configuração para obter acesso a redes internas. Os pesquisadores observaram que comandos básicos, como solicitar a invasão de um alvo específico ou limitar o escopo do ataque, eram suficientes para que o software iniciasse operações complexas de comprometimento de sistemas. A AhnLab emitiu um alerta indicando que ferramentas de invasão autônomas baseadas em inteligência artificial já constituem uma ameaça real e que seu impacto tende a expandir-se significativamente no futuro próximo.
Apesar das alegações do criador original de que o software foi desenvolvido exclusivamente para auxiliar em testes de segurança autorizados e de sua decisão de interromper a atualização e distribuição do projeto em oito de outubro, cópias modificadas do código continuam a circular. Relatórios subsequentes indicam que, mesmo após o repositório original ter sido removido, versões alteradas do software estão sendo distribuídas por múltiplos operadores que reutilizam e adaptam o código base. A empresa de segurança destacou que o ARTEX deixou de ser um projeto único para se tornar uma base de código utilizada por diversos grupos distintos.
Investigações técnicas identificaram seiscentos endereços de protocolo de internet públicos associados à operação da ferramenta, com a maioria dos hosts localizados nos Estados Unidos, na China, em Hong Kong e em Cingapura. Embora seja impossível classificar todos os endereços relacionados como pertencentes a atores de ameaças específicos, alguns desses sistemas apresentaram rastros claros de atividades ofensivas. As recomendações de defesa incluem a minimização de privilégios de conta e acesso à rede interna, além do uso de soluções de detecção e resposta para monitorar movimentos laterais, mantendo os princípios básicos de segurança mesmo contra adversários que utilizam inteligência artificial.